|
Nada no mercado editorial no mundo inteiro pode ser comparado ao fenômeno Harry Potter. Para se ter uma idéia da euforia provocada pela série, quando a versão original do sexto livro foi lançada, no dia 16 de julho de 2005, foram vendidos, só nos Estados Unidos, 6,9 milhões de exemplares nas primeiras 24 horas. No Brasil, os cinco primeiros livros já venderam dois milhões de cópias.
Para os pais e educadores, as histórias vem causando controvérsias e a dúvida de como agir diante do mundo mágico e místico de Harry Potter e seus amigos. Pensando nisso, a americana Gina Burkart, professora e escritora, resolveu ler os livros juntamente com seus filhos. Percebeu então, que, uma série de situações dava margem à discussões significativas sobre sentimentos comuns nas crianças, entre eles, raiva, provocações, medos e a escolha entre o bem e o mal, o certo e o errado. Percebeu também que, a participação dos adultos no aprendizado e esclarecimentos de determinadas situações narradas, permite a construção de uma estrutura moral sólida.
Todas essas análises acabaram se transformando no livro - "Harry Potter - Preparando a mente e o coração para o próximo livro da série". De acordo com própria escritora, a obra pode ser chamada de manual, pois aborda a forma como Harry Potter se encaixa na tradição da escrita dos contos de fadas e tem como objetivo principal, oferecer conselhos sólidos e práticos para ajudar adultos e crianças a navegarem juntos pelas histórias.
Segundo as pesquisas da escritora e análises psicológicas, as crianças adoram Harry Potter porque ele é sempre desafiado por valentões, é tratado injustamente em casa, faz amizades, comete erros e escolhe entre o certo e o errado, mas acima de tudo, porque mostra como uma criança frágil se torna forte e respeitada.
"Os livros podem se tornar uma poderosa fonte de treinamento de pensamento para nossas crianças. Eles oferecem oportunidades de discutirem questões da vida real com as crianças: abuso infantil, mentira, amizade, como lidar com valentões, com a morte, o bem e o mal, entre outras coisas", comenta a autora em trecho retirado do livro.
Com linguagem voltada para os pais, o livro explica que a leitura de Harry Potter não deve ser feita isoladamente, ou seja, as crianças não devem ler sozinhas, mas sempre mantendo diálogo com os adultos. Assim, é possível observar e discutir todas as questões relacionadas à moral.
O mundo mágico de fantasia tem sido usado há tempos para ensinar às crianças sobre a essência do bem e do mal e, se por meio da leitura, os autores conseguem excitar a imaginação infantil, os adultos precisam ser capazes de compreender as lições da ficção e aplicá-las na vida real. "Hogwarts ou Nárnia, por exemplo, são lugares fictícios, com personagens fictícias, mas as questões que eles levantam são reais", analisa a escritora.
Segundo a autora, existem duas coisas essenciais para ajudar as crianças a encontrarem o significado de suas vidas: os pais (guardiões) e a literatura. "As histórias falam com as crianças em seu próprio nível emocional e psicológico. Os contos de fadas mostram os medos ocultos e reprimidos e os trazem para a superfície, para serem compreendidos e curados. Além disso, oferecem imagens de lutas que a vida freqüentemente nos reserva e oportunidades para encontrar soluções temporárias ou permanentes". 128 páginas.
|